15.2.06

O Dia D

Hoje fiz as malas e brinquei de ir embora. Recolhi as fotogrfias penduradas na geladeira e espalhadas pelos porta-retratos, coloquei meu Millôr no meio das minhas roupas para não amassar, vesti uma roupa simples, como quem vai passear aos domingos. Eu sabia que não ia embora, mas mesmo assim me preparei.

Não era uma experiência, nem uma ameaça, era mais uma curiosidade. Do último ano pra cá eu envelheci algumas décadas. Meu niilismo cético só me da abuso. Os livros de auto-ajuda, as comédias românticas na TV, novelas e seus finais felizes, não me satisfazem. Me tornei grande demais pra mim mesmo.

Fico imaginando tudo o que deixaria pra trás. Será que eu lamentaria por mais de umas 2 horas? E os amigos, as paixões? Talvez difícil não seja deixar algo pra trás, mas a incerteza do que nunca mais será. Mais aí penso em Dubois e em sacrificar aquilo que somos pra ser aquilo que podemos ser.

Eu não queria realmente ir embora. Não sou uma pessoa tão impulsiva assim. Nem tão corajosa. Mas não pude deixar de sofrer. É como se finalmente eu entendesse que tudo, um dia, se vai. Tudo muda. Que tudo é passageiro, efêmero, incerto e isso é inevitável. A grande jogada é sacar que todo mundo deixa algo pra trás. Todo mundo abandona princípios, muda de opinião, sái de casa, troca de carro, esquece alguém. É tudo tão simples e tão comum que chega até a ser cultural. Deixe algo para trás após os comerciais!

Somos pedestres celestiais. Somos parte de algo que nos abandona cada vez mais. Fazemos parte de um organismo abandonado pelo criador. Porque não abandonar a realidade? Brinquemos um pouco. Vamos fingir que estamos indo embora pra nunca mais voltar. Eu fiz as malas pra ir embora de uma era. Deixei pra trás o peso de um mundinho insignificante. Mas quantos mundinhos eu ainda vou carregar nas costas? Quantas vezes eu terei de partir pra sentir que não preciso mais ir? Quem se importa? Existem pessoas que realmente se preocupam e isso é que importa. Existem pessoas que se importam demais.

Salvem as baleias! Colabore! Fome Zero! Natal Sem fome! Sou da Paz! Doutores da Alegria! Greenpeace! Não à Violência! Ajude as Vítimas do Katrina e esqueça das do Tsunami! Todo mundo pede ajuda pelo mundo afora. Um mundo que você não vive, que você não é presente. Um mundo que você negligencia, e é por ele negligenciado. É por ele esquecido.

Já eu não quis esquecer muita coisa. Na verdade, eu, mais do que ninguém, ainda estou no primeiro dia de aula na primeira série tentando decifrar os olhares curiosos e 'julgadores' das pessoas que eu conhecia e que não falam mais comigo. Sou apenas uma variação disso o resto da minha vida. Quem vai me deixar da próxima vez?

Talvez eu mesmo... e um texto introspectivo sem nenhuma idéia pertinente.

3 comentários:

Leo Menezes disse...

Pois é, mas é aquela história de cobrir todas as bases. Se isso um dia virar um livro, quero que isso esteja nele. Sabe como é né? A Bruna Surfistinha tranformou o dela em livro, porque não eu?

Leo Menezes disse...

Essa porra tava cheia de erro, espero ter corrigido todos. Alguns só de digitação, outros medonhos mesmo... Isso é que dá escrever algo preocupado com outra coisa.

Mas é a vida e português a gente erra aqui e acerta acolá, sem saber....

Luana Braga disse...

e depois que você realmente vai embora você nunca deixa de se questionar sobre a maturidade das coisas e das pessoas... e nem de você mesmo.
nem sobre se essa foi mesmo a melhor opção ou se teria sido melhor partir para outros lugares.

muitas vezes a gente acha que deve só fugir, talvez de si mesmo.