Dia de Profundidade Rasa
Hoje eu acordei com uma certa profundidade. Eu sei, é confuso assim mesmo. Mas apelidei essa profundidade de "profundidade rasa". É mais ou menos quando uma pessoa consegue achar profundidade filosófica em tudo, e até tenta desenvolver mas sem sucesso algum. Até o tubo de pasta de dentes que acaba de esvaziar tem uma lição sobre a vida, o universo e a existência. Tudo é profundo! Mas mesmo assim você não consegue escrever nada, não consegue desenvolver nenhum pensamento palpável. É uma profundidade rasa, superficial.
Então a gente tenta deixar isso de lado e se concentra no trabalho por um tempo. Aí você vai buscar sua mãe que chega do cruzeiro que foi pra Fernando de Noronha. Com sua profundidade rasa você percebe que ela realizou um sonho (e esse realmente era um sonho da minha mãe, fazer um cruzeiro). Tenta tirar uma ou duas lições sobre sonhos e realizações, mas nada que você possa desenvolver satisfatoriamente. Até porque seus sonhos ainda são planos infantis, projetos perdidos em plantas azuis ou num guardanapo de restaurante.
Aí você vai pagar as contas (dia 5 é foda!) e volta pra continuar o trabalho que deixou inacabado (olha aí! até aqui cabe toda uma questão filosófica que minha superficialidade acha melhor não desenvolver). Depois de tudo você termina escrevendo um texto que não diz nada. Com uma filosofia bem rasa e uma motivação efémera. E seu texto termina como o tudo de pasta de dentes. Próximo tubo!
Ainda bem que não fui eu que inventei o "falar, falar e não dizer nada". Eu só o divulgo!
Mas a grande jogada é poder colocar em palavras qualquer coisa. Não pra dizer algo. Mas escrever por escrever. Sem expectativas. Buscando profundidade e filosofia, e talvez poesia, mas na verdade se escreve como uma terapia para pensamentos "inacabados". Dias de profundidade rasa são bons por isso: Não precisamos de muito pra nos sentir "supridos". Como a vida deveria ser. Simples! Passamos tanto tempo buscando por cultura, informações e motivações, sem falar em felicidade, paz e amor, que esquecemos que por mais vazio que o tubo esteja, sempre pode ser espremido um pouco mais. Até o dia em que cansamos de espremer e espremer, mas aí já não teremos mais dentes pra escovar. E ficamos com um sorriso fofo, bobo, mas cativante e pleno.
A vida é simples e é agora! Parece propaganda de cartão de crédito, e até é, mas é uma verdade. Até um louco pessimista como 'Nit' (Nietzsche) concordava, de certa forma, com isso. E o texto? Bem, o texto não é mais agora. Ele passou. O tubo foi pro lixo. E a vida? Ela está lá fora, aqui dentro, no lixo, no passado, no futuro. Com ou sem macacos dançarinos, com ou sem frustrações, inseguranças, insatisfações, esperanças! Mas e agora? Até o próximo dia de profundidade rasa. E que o próximo seja mais construtivo. Sempre!



Um comentário:
Mas esse foi! Foi ótimo! Todo mundo precisa desses dias...
Beijo!
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