Camaradagem
Ontem fui até a casa de um amigo. Ficamos lá conversando bebendo uma cervejinha, tranqüilo e sem compromisso. É incrível como coisas simples assim têm muito mais a me "oferecer" (o que, na verdade, eu posso aproveitar) que uma noite de farra.
Mas o interessante é que me lembro de pensar, quando era moleque, quando olhava pras pessoas mais velhas fazendo isso, que eu provavelmente nunca ia me divertir assim. Ficar sentado bebendo uma bebida amarelada (nem coca-cola eu conseguia beber como eles bebiam aquilo) e conversando, não podia, de jeito nenhum, divertir ninguém tanto quanto ficar fazendo pirueta enquanto se joga com tudo na piscina, ou ficar jogando vôlei na areia, ou speedball, ou mesmo ficar tentando acertar os calangos com estilingue, andar de bicicleta com toda a velocidade possível pela piçarra avermelhada. Não, tudo aquilo era infinitamente mais divertido que ficar em volta de uma mesa prestando reverências a uma bebida amarga e ruim e apenas falando sem parar.
Ah, se eu soubesse, naquele tempo, que grandes idéias já nasceram em bares. É tudo uma questão deixar fluir. Numa mesa de bar, a maioria das vezes, ninguém compete com ninguém, há um pacto silencioso de compreensão e cumplicidade pelo ritual. Claro que em assuntos específicos a discordância é natural, mas há aquela camaradagem nas opiniões adversárias.
Quando eu era moleque, camaradagem era aquele cara que não te escolhia por último na hora de tirar o time pra jogar um futebolzinho. Ou aquele que ia pra sua casa do nada só passar a tarde "brincando", ou que recebia você. Era também aquele cara que sentava na carteira do lado na sala de aula.
É! Quando a gente é pivete, camaradagem é bem menos complicado!



Um comentário:
Não importa o lugar e nem importa tanto sobre o quê é a conversa. Se se está entre amigos, já está valendo. E se tem uma bebidinha... nem que seja só pra relaxar! Bom demais!
Saudade de ti, menino!
Bjo!
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