22.10.06

O Salto e A Queda

Uma vez pulei de uma ponte. Devia ter no máximo uns 9 a 10 metros de altura. O rio, mesmo no calor das 11 horas da manhã, era escuro como uma noite sem lua, sem estrelas nem nuvens. Mas era apenas diversão. A adrenalina é uma droga que vicia tão fácil!

Parado normalmente em frente ao parapeito a coisa não é de forma alguma assustadora como quando você senta nesse mesmo parapeito e se prepara pra pular. O frio na espinha é terrivelmente cortante. É o mais perto que você pode estar de entrar em pânico sem entrar realmente. Mas isso também não é nada comparado ao furtivo segundo que você se desprende do parapeito. Naquele instante, tão rápido quanto a própria luz, é que você se dá conta do que acabou de fazer. Você quer imediatamente desistir, mas não pode. Você simplesmente é um saco de batatas que demora pouco mais ou pouco menos que 1 mísero segundinho pra cair. Mas passa tanta coisa na sua cabeça que o tempo se transforma automaticamente em algo relativo.

Mas a sensação no momento que você solta e começa a queda, que você deseja com todas as suas forças voltar de onde veio, mas também deseja que tudo aquilo termine logo, embora aquele segundo demore uma eternidade pra acabar, essa é a sensação que é insuperável. Aterrorizantemente insuperável.

Lembrei disso hoje, porque hoje é exatamente assim que me sinto sobre mim mesmo.

Um comentário:

Anônimo disse...

Mas essa sensação desse segundo é aterrorizantemente boa mesmo. E não é o mergulho no rio que faz a gente querer cair de novo, e sim, aquela sensação, né? =]

Ei, estou com umas fotos aqui e queria que você escaneasse pra mim, pode ser? Como faço, deixo na tua portaria junto com o CD?