12.2.07

Inescapável




Sinto-me tão velho. Tão fora de forma e de órbita. Fora do ar mesmo. A verdade é um barquinho feio que se foi há muito tempo. E com ele foi minha infância e algumas paixões. Essa verdade que ficou aqui e agora é uma verdade consensual. Transgredida e provocada. E só entende quem já está velho demais pra procurar outra.

Ontem eu entrei em pânico pensando na morte e no eterno retorno. Há de se acrescentar que não concordo com Nietzsche. Mas sua teoria é tão louca e absurda que merece ser cogitada. Por alguma razão, quando pensava sobre a morte, imaginei um aeroporto com muitas pessoas. Era marrom e azul! E as pessoas passavam tão depressa que não dava nem pra ver como eram. Mas a morte parecia tão perto que podia sentir a falta que eu faria a mim mesmo. Também me veio a idéia de um final sem escolha. De um nada sem propósito.

Algumas vezes eu queria viver pra sempre.

Quando desliguei a TV fiquei um pouco no escuro. Eu aprendi, há muito tempo, a disfarçar uma tristeza, um pensamento ruim ou uma frustração apenas não pensando neles, ou, a melhor das hipóteses, que não era comigo que aquilo estava acontecendo, era com outra pessoa. Bem distante de mim, que eu nem mesmo conhecia.

A verdade é que não há como escapar. Nem da morte, nem das decisões. Você toma decisões todos os dias e todos os dias engana a si mesmo. Só que chega um dia em que você se sente velho demais. Aí começa a perceber que não é de morte ou de decisões que precisamos fugir, mas da falta delas.

3 comentários:

Anônimo disse...

"A Rainha", sessão as 21:30h, hj, viu?

Anônimo disse...

"A Rainha", sessão as 21:30h, hj, viu?

Anônimo disse...

Acho que "a procura da felicidade" teve parte nisso tudo, não?