Dentro das Gavetas
Sou pedaço, cortado, abandonado e esquecido. Metade de outro eu, o mesmo eu que eu não sou faz tempo. Um eu que se assusta por viver como se a vida fosse para sempre. Esse eu já esqueceu o medo, o pânico, que tirou belas lágrimas e poesias. Mas aquele pânico conheceu minha insônia. E agora é durante a noite, em que eu estou realmente sozinho, que eu me sinto muito mais sozinho ainda. É lá que percebo que estou sozinho duas vezes. Entre os lençóis e os travesseiros a vida passa durante a noite. E nenhum pensamento sou eu, nenhum sorriso.
Sou a vida que segue. Superado, vencido e ultrapassado. Uma vida surreal, colorida e incompreensível. Que tenta desesperadamente se livrar de amarras invisíveis. Não há glória, não há peito aberto e nem heróis pra mim. Sou a vida que seguiu.
Encontro meu planos sob tantos papéis que me perco outra vez. Meus sonhos ainda são infantis. E tento dizer pra mim mesmo que não há outra oportunidade, mas eu não quero escutar. Sou apenas outro idiota no mundo. Cometendo os mesmo erros, guardando os mesmos segredos. Sozinho sobre o colchão eu adormeço nesse mundo niilista que eu criei, e acordo sem ter dormido, sem ter vivido. Acostumado com tantas voltas, com tantas belezas, com tanta liberdade na ponta dos meus dedos introspectivos. Eu desenho, eu escrevo... Mas eu não sei se sinto.
Todo dia eu me sinto mais distante dos meus próprios sentimentos.



Um comentário:
a cada dia nossos sentimentos, cursos e planos mudam...
estamos mais distantes do primeiro destino que desenhamos para nós mesmos porque estamos mais próximos dos planos mais recentes
e assim seguimos: desconstrunido e reconstruindo
lembra de lavoisier?
"na natureza nada se perde, nada se cria. tudo se transforma"
também sinto falta da inocência dos meus primeiros projetos... mas se formos parar para pensar, mas pensar mesmo (sic).. acho que nunca deixamos ainocência de lado de verdade
Postar um comentário