31.3.07

Prospecto

Já faz alguns anos agora. E eu simplesmente não segui com minha vida. Estou preso a mim mesmo? A um passado frustrado, estagnado e estéril? Tão sombrio e turvo quanto histórias de terror debaixo d'água.

Aprisionado na pena que eu sinto de mim mesmo eu percebi que o mundo não gosta de mim, que eu sou um atraso, uma vergonha, um embaraçoso monte de banha inútil. Não existe sorte, não existe bondade, para mim. O mundo me odeia como a um filho bastardo e indesejado.

Mas acho que mesmo isso sendo verdade, é melhor não arriscar desperdiçar o pouco e cruel tempo que eu tenho. Vou trocar os azulejos e cobrir as rachaduras. Vou escrever "nunca é tarde pra esquecer" com pincel atômico azul nas paredes do quarto e comprar lâmpadas amarelas. Empilhar meus livros por ordem de momentos importantes e alugar um filme de comédia. Quem sabe amanhã eu não me sinta melhor com o mundo, e, se não for pedir demais, talvez até comigo mesmo?

Espero não me enganar... muito!

3 comentários:

Anônimo disse...

"Quem sabe amanhã eu NÃO me sinta melhor com o mundo, e, se não for pedir demais, talvez até comigo mesmo". Acho que aquele 'não' não deveria estar ali, né?

Hiii... vontade de alugar um filme de comédia agora. =]

Luana Braga disse...

às vezes temos impressões tão vagas de nós mesmos

até como se não fôssemos nós mesmos avaliando nossas próprias atitudes

nos imaginamos tão feios e vazios de experiências enquanto outros comentam, com outros ainda, como somos altivos, simpáticos e belos com a forma de enxergar a vida

e coisa e tal

e ficamos sabendo que passaram alguns segundos falando bem da gente

ou mal

mas o que importa o que os outros vão pensar?

nossos erros
nossos acertos
quem é que tá contabilizando tudo isso aí?

e quem é essa pessoas, coisa ou mineral que nos julga?

e porque os damos, incansavelmente, esse poder?

mas é assim que é, não é mesmo?

ou, sei lá.. a gente passa uma borracha mágica em tudo e segue como se fosse outra pessoa... inventamos outras experiências e tomamos estas como nossas próprias... e saímos espalhando elas pelo ar, até nós mesmo acreditarmos nelas... e depois nos tornamos uma outra pessoa que seria o exato resultado dessas novas experiências que imaginamos e tomamos por nossa

ufa!

mas pode ser assim também

quem sabe

e no final das contas, como todo mundo, só queremos ser felizes

não é

Leo Menezes disse...

Gostei... Fico realmente pensando.

P.S.: Sarinha, valeu pela correção... ehehehe... Mas o que está errado é a pontuação, era pra ser uma pergunta... mas eu só teria visto por causa da sua correção.