15.6.07

De Maluquice e Devaneios

A verdade é que nunca houve muito tempo pra fazer muita coisa. Mas não me venha com essa de que o importante é o que fazemos com o pouco tempo que temos. Crescemos numa geração que foi condicionada a acreditar que quando fossemos adultos seríamos ricos, teríamos o emprego perfeito, seriamos famosos e viveríamos bem. Ninguém nos preparou pro fracasso, pras frustrações e pra resignação, só o tempo e a vida é que se incomodam de fazê-lo, mas como já é de praxe, sabemos, o tempo é pouco e a vida é curta.

É, concordo que talvez eu esteja Palahniukiano demais. Mas hoje tive um ataque. Cansei de me sentir doente. Mas percebi que, na verdade, me senti doente a vida toda. Deixei de viver coisas que sempre sonhei.

Odeio fotografias de amigos (as) em festas. Odeio fotos de pessoas felizes nas ruas de outra cidade. Odeio histórias de outros carnavais que não são os meus, ou outros reveillons. Detesto tudo o que me lembra do ostracismo que minha vida caiu. Esse sou eu, eu realmente sou assim. Algumas vezes tolero melhor, outras vezes apenas disfarço.

Eu sei que seria patético se eu dissesse que queria que acontecesse pelo menos uma coisa boa na minha vida. Mas a verdade é que eu surpreendi a mim mesmo quando respondi pra minha terapeuta que na verdade não me falta nada. Meu quarto tem tudo, por exemplo. Faço uma faculdade e ando de carro. Sobre o que eu poderia estar reclamando?

Reclamo, então, de toda matéria orgânica e decadente, de todo floco perfeito de neve, de todo o tempo que gastei pra entender que a vida é um conceito vivo.

Um comentário:

Anônimo disse...

Pra mim, o importante é o que fazemos. E pronto.
Gostei do texto!
=*