2.11.07

O Filho e Eu

Porque todo site de relacionamentos há sempre um espaço pra você escrever quem você é?

Entre ser um pensamento niilista engarrafado, enlatado e empacotado numa prateleira amarela e esquecida de um supermercado psicodélico e surreal ou um canto harmonicamente tranqüilo livre num campo, numa praia, numa noite de inverno sem ninguém por perto, mas mesmo assim ouvido por todos, eu me pego sentado no chão do quarto olhando as nuvens entre o pequeno espaço que a janela me permite e entre os prédios aglomerados juntos, como uma barreira, implorando minha atenção.

Eu não sei quem sou. Não entendo que lugar ocupo no meu próprio mundo. Todo dia me sinto doente. Todo dia penso em como seria se o passado fosse diferente. Vago por pensamentos que não são meus, por sonhos tolos e desejos absurdos. Não é por acaso que não sei quem sou! Nunca fui ninguém!

Não quero saber quem sou! Não agora.

Quero apenas curtir a brisa de uma manhã nublada, triste e linda. Queria poder ensinar a meu filho que o mundo vai exigir coisas dele que irão transformá-lo em apenas mais um na fila do banco esperando, comprando pão numa padaria estéril, tomando uma cerveja gelada numa sexta-feira cansada. Sem música, sem glamour. Mas isso me assusta! Espero poder ensinar pro meu filho, como quem implora com lágrimas nos olhos, que ele seja uma pessoa boa. A pessoa que eu não fui por muito tempo. Espero que eu possa ensiná-lo algo de bom, pra que ele possa, um dia, saber quem é.

Enquanto eu ainda sou o filho, vou perdendo pedras, construindo um castelo cada vez menor. Procurando encontrar um porto seguro. Deixar a vida nos trilhos e, um dia, não decidir quem é, mas apenas entender.

Um comentário:

Luana Braga disse...

acho que a gente só descobre realmente quem a gente é quando a gente morre - ou quando estamos perto de morrer...

eu mesma já parei de tentar descobrir ou resolver quem eu sou, ou quem qualquer animal, mineral ou vegetal :) é!