24.11.07

Um Sincero Post Scriptum

Quando minhas mãos começaram a ficar geladas e minhas pernas inquietas, eu não pude perceber. Era medo na forma de ansiedade. Sabe quantas vezes procuramos respostas pra problemas que já temos a solução? Dentro de mim, não só de mim, existe sim um abismo ressonante, um fantástico vazio, uma escuridão eterna.

Tentei inúmeras vezes dar nomes ao que sentia. Às dores e sofrimentos, à frustrações e arrependimentos. Minha infância disfuncional, meu niilismo congênito, minha severa e projetada autocrítica... meu medo da morte!

Os remédios são muitos. O esforço, muito pouco. A quase estabelecida hipocondria era um atestado do meu medo de envelhecer sem sequer ter uma suspeita de quem realmente sou. Não quero saber, mas quero ter uma pequena esperança de que posso ser uma pessoa capaz. Mas minha ansiedade é recorrente, e talvez seja ela a responsável pelo meu desdém outorgado pelo amor. Ou talvez eu não me aceite como uma pessoa gorda porque já fui magra. Mesmo magro eu era gordo. Talvez eu sofra por não gostar dos espelhos. Mas talvez não.

As religiões sempre foram um assunto nada delicado pra mim. Já fui réu e já fui jurado. É daí que surge o meu terrível medo da morte. O pânico, como costumo chamar. Daqueles que chega a arrancar uma lágrima desesperada antes de poder deitar a cabeça nada sossegada no travesseiro. Nasceu assim a minha famosa insônia. Uma bela montanha pra subir: aversão à religiões, medo da morte, ansiedade, hipocondria, insônia e no topo, uma grande e fantástico... nada.

Minha vida até o ponto em que começaram meus distúrbios foi sofrível, mas superei, sem classe, mas superei. Minha vida desde em que percebi que ia morrer não pode ser resumida. Perdi parte da minha infância por causa de um acidente. Perdi a outra parte dela sendo excluído, algumas vezes por mim mesmo. Perdi parte da minha adolescência com medo de não ser aceito, e a outra parte dela perdi tentando superar o que nunca existiu. Estou perdendo parte da minha vida adulta com o meu medo da morte, talvez a outra parte tenha a tão sonhada e esperada resposta que eu deixei de procurar.

Revendo cada passo que eu dei mais distante de um caminho que se supunha normal, eu não aprendi nada, não mudei nada, não superei medo nenhum. E no final das contas... eu ainda estou aqui.

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